Tive um consultor que me surpreendia todos os dias. Chegava com estratégias brutais, inovadoras, criativas, com gatilhos bem pensados e argumentação sólida. Eu ouvia, concordava, e dizia sempre o mesmo: aplica e depois diz como correu.
No dia seguinte aparecia com uma nova estratégia. Também boa. Também bem construída. E eu perguntava: como correu a de ontem?
A resposta era invariável: tentei, mas não vi grande resultado.
A incapacidade, ou o medo, de executar
Fui observando com atenção. O padrão era sempre o mesmo: tentava duas, três vezes, e desistia. Não para descansar. Para sonhar com a próxima ideia que ia resolver tudo. Na prática, nunca iniciava ação real nem media resultados. Pensava estratégia. Só estratégia.
É um dos maiores entraves ao crescimento que conheço: a incapacidade (ou o medo) de executar. E tem quase sempre raízes no síndrome do impostor e na dificuldade em lidar com o não. Mas isso fica para outro artigo.
As duas desculpas que mais ouço
O que importa aqui são as duas desculpas que mais ouço:
«Preciso de mais formação antes de executar.»
«Vou fazer um plano melhor antes de avançar.»
As duas partem de premissas corretas. A formação e o planeamento são fundamentais, já falámos disso. O problema é quando se tornam substitutos da ação em vez de suporte a ela. Um plano nunca será perfeito. Só a ação permite corrigir, adaptar e melhorar.
A formação permanente sem execução é teoria pura, nunca terá resultado prático. A formação tem de ser constante, progressiva, e sempre acompanhada de ação.
A perfeição não nasce da intenção
Há uma experiência, descrita no livro Art & Fear, de David Bayles e Ted Orland, que ilustra isto melhor do que qualquer argumento.
Um professor de cerâmica dividiu a turma em dois grupos. Ao primeiro disse: serão avaliados pela quantidade, o maior número de potes produzidos. Ao segundo: serão avaliados pela qualidade, um único pote, o mais perfeito que conseguirem. No final do semestre, qual dos grupos produziu os potes mais perfeitos?
O primeiro. O grupo que fez mais potes.
A perfeição não nasce da intenção. Nasce da repetição.
Agir não depende do mercado
Agir não depende do mercado. Não depende dos clientes. Não depende das circunstâncias. Depende exclusivamente de ti: da decisão de começar, de medir, de corrigir, e de voltar a começar.
A estratégia mais brilhante do mundo vale zero sem execução. Começa. O resto afina-se no caminho.

